domingo, 31 de março de 2013

Menino ou menina, quem dá mais trabalho?


Menino ou menina? Qual enteado é mais fácil de lidar. Diz a lenda (e a lógica de Freud) que para a madrasta é mais fácil lidar com meninos e para o padrasto lidar com meninas. Verdade? Acho que não! Eu falo por experiência própria!

Eu brinco que estou no meu segundo “mandato” de madrasta. Meu casamento terminou. Mas não foi por causa do enteado. Na verdade, os problemas com ele só encobriam problemas muitos maiores, mas isso é assunto para outra conversa. O assunto aqui é sobre gênero! Ou não.

Na minha primeira experiência como madrasta, tive um enteado e com ele muitos problemas. Mas, à medida que o tempo foi passando, percebia que o problema não era exatamente com ele. O problema era com os pais. Eles se separam de forma impulsiva, não explicando para o garoto o que tinha acontecido. Ele ficou confuso, óbvio! Depois, quando a mãe acionou o pai na justiça, a situação se agravou, já que os pais viviam em pé de guerra. Ele achava que tinha que tomar um lado da situação e, como vivia a maior parte do tempo com a mãe, passou a defendê-la, mesmo sem saber o porquê.

Nesta minha segunda experiência, tenho um casal de enteados. Com o mais velho, adolescente, tenho pouco contato. Saímos juntos várias vezes e nunca tive problemas. Ele é educado, inteligente, agradável e nunca me tratou mal. Já com a mais nova, de nove anos, tenho um contato maior. Muitas vezes ela dorme em minha casa e  é uma fofa!  Me trata com muito carinho e nos divertimos bastante juntas.

Neste caso, os pais se separaram de forma pacífica e isso refletiu nos filhos. São crianças emocionalmente saudáveis e não tem nenhuma frustração com os pais para descontar nos outros. Moral da história: não importa muito se o enteado é menino ou menina. O que vale é a atitude dos pais perante o divórcio e perante a guarda dos filhos.  

sexta-feira, 22 de março de 2013

O outro lado da moeda

Quando uma pessoa enfrenta algum conflito com alguém, a tendência é que ela rejeite os argumentos da outra pessoa como forma de negar o problema.  Colocarmo-nos no lugar do outro é uma forma de aceitarmos que não somos donos da razão, talvez por isso tenhamos tanta dificuldade em fazê-lo. Sei disso por experiência própria e, em minha vida de madrasta, isso foi muito positivo.

Em 2006, conforme já disse anteriormente, tive muitos problemas com meu enteado. Os pais se desentendiam e a criança ficava muito confusa. Criei a comunidade o Orkut e encontrei algumas mulheres que passavam pelos mesmos problemas. Enfim, eu havia encontrado pessoas que compreendiam o que eu estava passando.

Meses depois da criação da comunidade me deparei com uma postagem chocante. A mãe do meu enteado havia descoberto a comunidade e resolveu opinar em vários assuntos. Mas, para minha sorte, ela não foi agressiva e, a partir disso, começamos um diálogo. Primeiro, conversamos na comunidade, depois trocamos e-mails. Claro que eu tinha bastante mágoa pelo que eu estava passando e ela também. Eu tive vontade de despejar um monte de coisas naquele e-mail, apontar o dedo na cara dela, acusá-la, culpá-la. Mas não fiz isso. Ela também não.

Antes desse fato eu a via como uma pessoa ruim, uma mulher recalcada que só me desejava mal. Ele, por sua vez, devia me ver como uma madrasta malvada, daquelas de contos de fadas que passava a vida maltratando o filho dela. Para nossa surpresa, encontramos mais semelhanças do que diferenças entre nós.  Tivemos uma educação parecida, tínhamos a mesma referência espiritual e até o gosto musical era semelhante. Eu não virei a melhor amiga dela, mas não duvido de casos em que isso aconteça. Meu enteado ficou bem mais tranquilo depois disso.

Num almoço na casa da mãe do meu enteado, em que eu e meu marido fomos, ele disse que me amava e me abraçou na frente de todos. Fiquei surpresa e muito feliz com aquilo tudo. Depois de muita briga e confusão, as coisas finalmente estavam se acertando. Bastou um pouco de serenidade e bom senso para que nos entendêssemos. Afinal, para quê guerra se podemos viver em paz?  

terça-feira, 19 de março de 2013

Masdrasta versus Enteados



Nestes seis anos de Jovens Madrastas os casos mais complicados que conheci foram os que envolviam enteados adolescentes ou adultos. As crianças, ao contrário do que se pensa, se adaptam facilmente às situações que a vida lhes apresenta. Já os adultos têm mais dificuldade em lidar com suas frustrações.

Quanto mais a idade da madrasta é próxima da idade do enteado, mais complicado fica o relacionamento entre eles. Isto acontece devido a um grande sentimento de disputa envolvido. A maturidade dos envolvidos também conta muito.

O que precisa ficar claro nessa situação é que o relacionamento entre madrasta e enteados só existe por causa do pai. Portanto, quem precisa impor limites para cada um nessa circunstância é ele. Já ouvi muito homem dizer que os filhos e a madrasta não se entendem ou mesmo que a ex-mulher e a atual discutem, brigam. É muito cômodo para um homem ver o circo pegar fogo e se eximir de culpa.  Mas é preciso lembrar de que ele é o principal responsável pela situação.

Como sempre, o diálogo é essencial nesse caso. Nenhum filho é obrigado a aprovar o relacionamento amoroso do pai e nenhuma madrasta é obrigada a suportar birras e maus tratos dos enteados. O respeito precisa prevalecer sempre. Caso não esteja prevalecendo, é importante colocar o relacionamento na balança e analisar se vale a pena investir ou se o melhor é partir para outra.  A separação pode ser triste, mas viver num eterno sofrimento não dá, né?

sexta-feira, 15 de março de 2013

Mantenha a calma... se for capaz!


Meu namorado e a ex-mulher estavam envolvidos em um processo judicial de pensão alimentícia e divisão de bens. Foi um dos períodos mais difíceis que passei com meu enteado.

Geralmente, quando um relacionamento não termina de forma consensual, existem muitas mágoas e questões mal resolvidas. Nestes casos quem mais sofre são os filhos. É muito comum que o pais falem mal um do outro para as crianças, elas, por sua vez, sentem culpadas por gostar de um ou de outro.

Quando aparece uma terceira figura, como a madrasta ou padrasto, é quase certo de que a criança vai transferir a culpa de todo seu sofrimento para essa terceira pessoa. Este é um momento em que é preciso ter muita paciência e autocontrole, pois o que o seu parceiro menos precisará neste momento é um conflito entre a namorada e os filhos.

Algumas frases “delicadas” que ouvi nesta fase:

Minha mãe disse que quer ver você e meu pai mortos debaixo de um caminhão”

“Eu quero destruir o amor que meu pai sente por você porque você nos separou”

“Minha mãe disse que você é burra”

“Você e meu pai fazem muitas coisas ruins”

“Você não é confiável”

Ouvir essas frases de um menino de seis anos é algo chocante e triste. Ainda mais de uma criança por quem você tem muito carinho e com quem, até pouco tempo, você tinha muito afinidade.  As pessoas diziam que “ele é só uma criança!”. Sim, ele era apenas uma criança, mas doía da mesma forma. 

Desde que fundei a comunidade no Orkut, em 2006, esta é uma queixa muito comum. A dica é tentar não se abalar com os comentários, ou ao menos não demonstrar isso para a criança. O ideal é que o pai converse a respeito disso com a criança, tomando o cuidado de não falar mal da mãe para não transformar o filho em pombo correio de discórdia.

E tente se manter nos trilhos e agir normalmente. Crianças não são bobas e percebem claramente a diferença entre o que a mãe diz e o que acontece realmente na casa do pai. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Madrasta: o início da saga



No começo do namoro eu me dei muito bem com meu enteado. Na verdade, quando o conheci eu era apenas amiga do pai dele, portanto, não representava nenhuma ameaça. Quando começamos a namorar, fazíamos muitos passeios. Frequentemente eu levava minha sobrinha da mesma idade e era uma diversão só. No dia em que contamos a ele que estávamos namorando a reação dele foi positiva e engraçada: “Vocês estão namorando? Que bom! Agora vou poder ganhar um irmão”. Pensamos que estava tudo encaminhado, mas não contávamos com a reação da mãe dele.

Meu enteado morava com a mãe numa cidade vizinha e visitava o pai de 15 em 15 dias. Na visita seguinte ao anúncio de nosso namoro, percebemos um comportamento estranho no garoto. Ele começou a me destratar e fazer birras. Não entendíamos, já que a reação dele havia sido tão positiva da última vez. Após muita paciência e conversa ele começou a soltar algumas frases que nos chamou atenção: “Eu não posso sair com meu pai e com você senão alguém vai tentar me roubar”; “Meu pai não pode ter uma namorada porque tem um filho”  e, por fim, “Pai, você precisa decidir se namora minha mãe ou a Vivi”.  Então a ficha caiu!

Certamente o menino contou para a mãe que o pai estava namorando. Meu namorado e ela haviam terminado há quatro anos, mas, pelo que entendo, não foi um término bem resolvido.  Não haviam feito partilha de bens e nem acordaram a pensão do garoto de forma legal. Existiam questões entre os dois que precisavam ser resolvidas. E eu e meu enteado estávamos indiretamente envolvidos com isso. Por mais que quiséssemos nos isentar, respingaria, certamente, alguma coisa em nós.

É óbvio que era muito mais fácil para mim entender a situação do que para uma criança de cinco anos. Mas eu não estava preparada para o que estava por vir...

terça-feira, 5 de março de 2013

Jovens Madrastas Uni-vos

Você conhece o homem dos seus sonhos: atraente, inteligente, educado, com a vida financeira estável e que faz de tudo para te ver bem. Você pensa em se jogar de cabeça no relacionamento até que descobre uma situação nova para você: ele é divorciado e tem um filho desse relacionamento.  E agora?

No meu caso, resolvi encarar o desafio. Aos 25 anos eu ainda morava com meus pais quando decidir me casar. Era tudo novidade: ter uma casa, um marido e, esporadicamente, uma criança em casa. No começo pensei que seria fácil, já que sempre me dei bem com crianças. Sequer imaginava o que estava por vir.

Com pouco tempo de casamento me vi envolvida num processo judicial de pensão alimentícia e divisão de bens. Só aí descobri que meu marido havia feito um contrato de união estável com a ex-mulher e que ela saiu de casa sem levar nada. Eles haviam feito apenas um acordo informal para o pagamento de pensão para a criança. Foi um momento muito difícil.

Nenhuma das minhas irmãs ou amigas tiveram relacionamento com um homem com filhos e eu não tinha com quem conversar a respeito dos meus dilemas. Os conselhos que eu recebia eram do tipo “você escolheu por isso, agora aguenta”. Definitivamente, resignação não é o meu forte. Faço mais o tipo revolucionária.

Depois de inúmeras tentativas sem sucesso de melhorar meu relacionamento com meu enteado, resolvi buscar ajuda, mas não sabia como. Criei então, em 2006, uma comunidade na rede social Orkut para discutir o tema. Em seis meses consegui mais de 250 seguidores. Em números, parece pouco se comparado às outras comunidades. Mas os membros eram muito ativos.  

Atualmente, mantenho a comunidade original no Orkut e uma página no Facebook.  Resolvi, então, contar um pouco da minha história e trocar experiências com outras madrastas, padrastos e membros de famílias tentaculares.  

Então, sejam bem vindos ao blog Jovens Madrastas!